Quebra Pedras

BLOG DEDICADO A ALUNOS DE GEOLOGIA

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

EXTINÇÃO

 Assim foi o primeiro dia na Terra depois do asteroide que acabou com os dinossauros

por Miguel Ángel Criado | El País | Publicada em 11/09/2019 às 17h04

Um estudo reconstitui minuto a minuto o que se passou há 66 milhões de anos, graças a um cilindro de rocha extraído da zona do impacto. O Seguinte: reproduz o artigo publicado pelo El País. Ao fim, também tem um vídeo

Cerca de 66 milhões de anos atrás, um milênio a mais ou a menos, um asteroide atingiu a Terra no que hoje é o Golfo do México. O choque foi de tal magnitude que a teoria dominante entre os cientistas indica que causou o desaparecimento de 75% da vida, a começar pelos dinossauros. Agora, o estudo de um cilindro de rocha extraído da cratera causada pelo impacto permitiu reconstituir minuto a minuto que se passou há tanto tempo. E foi um verdadeiro inferno.

Em 2016, a Expedição 364 à cratera Chicxulub, no noroeste da Península de Yucatán (México), perfurou a zona de impacto. Não cavaram na parte central, mas na borda externa da cratera. Extraíram um cilindro rochoso de uns 1.334 metros abaixo do fundo do mar. Segmentado em partes, seu estudo por um grande grupo de geólogos e cientistas de outros campos conta a história em capítulos tão precisos como os dos anéis de árvores ou núcleos extraídos do gelo, embora milhões de anos se tenham passado.

“É uma das vantagens com as crateras de impacto. Sua formação segue leis físicas muito bem definidas", diz o pesquisador do Centro de Astrobiologia/CSIC e coautor do estudo, Jens Olof Ormö. "Podemos reconstituir uma sequência de eventos [por exemplo, ver quais sedimentos seguem um acima do outro]. Pelo tipo de sedimento [tamanho dos clastos (fragmentos), tipo e classificação], podemos saber se o depósito foi rápido ou lento, e aproximadamente o tempo que isso levou", explica.

Em Chicxulub, o impacto do asteroide liberou uma energia equivalente à de 10 bilhões de bombas como a de Hiroshima. Volatilizou enormes quantidades de material. Estudos anteriores estimaram que liberou na atmosfera 425 gigatoneladas de CO2 e outras 325 de sulfuretos (uma gigatonelada equivale a 1 bilhão de toneladas métricas). Um penúltimo dado: o tsunami subsequente levou água do Caribe para os Grandes Lagos do norte dos Estados Unidos, a cerca de 2.500 quilômetros da zona de impacto.

O cilindro de sedimentos foi extraído de aproximadamente 1.300 metros sob o leito marinho e estudado por segmentos

Mas o que mais interessou aos geólogos foi a rapidez com que a maior parte da cratera foi preenchida com os restos do choque brutal. Estima-se que em apenas 24 horas o buraco tenha sido coberto com uma camada de cerca de 130 metros de sedimentos, que são os que eles estudaram agora. Aí está escrita a história do primeiro dia de vida na Terra após o impacto. Aí os geólogos estabelecem a divisão entre duas eras, a do mesozoico e a do cenozoico atual. E é aí que quase tudo indica que começou a extinção dos dinossauros e o surgimento dos mamíferos.

Segundo o estudo, publicado na PNAS, os 40-50 metros inferiores, formados por rochas fundidas e fragmentárias (lacunas) se depositaram minutos após o impacto. Uma hora mais tarde teria surgido outra camada de cerca de 10 metros, composta de suevite, rochas de vidro e outros materiais fundidos. Horas depois, outros 80 metros foram preenchidos com sedimentos mais finos. No final do dia, o refluxo da água retirada com o impacto arrastou até ali enormes quantidades de material da região e áreas muito remotas.

Entre os últimos sedimentos, os pesquisadores encontraram uma grande quantidade de material orgânico, especialmente um rastro de fungos e muito carvão vegetal. Isso deve ter vindo dos restos dos incêndios causados pelo impacto e pela queda de materiais incandescentes nas florestas de centenas de quilômetros ao redor.

"Com um asteroide de 12 quilômetros atingindo Yucatán, os efeitos locais devem ter sido catastróficos e provavelmente também em distâncias de até 1.500 quilômetros do impacto, onde o impacto térmico pode ter provocado a queima das árvores. Em distâncias maiores, o material ejetado também teria causado incêndios por atrito à medida que caía na atmosfera. Mas esses efeitos devem ter sido de curta duração e não podem explicar a extinção global de 75% da vida", diz em um e-mail, o principal coautor do estudo, o professor do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas (EUA), Sean Gulick.

Essa parte da história começou naquele dia, mas deve ter durado anos. Na rocha extraída das bordas internas da cratera Chicxulub há uma notável ausência de materiais sulfurosos. Não há vestígios de enxofre na área e o momento do impacto, embora as rochas ricas em sulfeto sejam abundantes. Esses dados reforçam a teoria de que o asteroide expeliu enormes quantidades de sulfetos na atmosfera, impedindo a radiação solar e resfriando o planeta. As simulações indicam que a temperatura média global caiu 20 graus e assim permaneceu durante uns 30 anos.

"Estamos diante de evidências empíricas da conexão entre o impacto do asteroide e a grande extinção", diz o pesquisador da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) e um dos líderes do grupo de pesquisa, Jaime Urrutia, que está estudando a cratera de Chicxulub há várias décadas. Para ele, a grande contribuição deste trabalho é a resolução temporal que oferece sobre a sequência de eventos que se seguiram a um impacto ocorrido há 66 milhões de anos e que marcou o destino do planeta.

 

Siga o vídeo: https://youtu.be/7Ul9VZizFyc


 

quinta-feira, 23 de julho de 2020

OS GEÓLOGOS E A CIVILIZAÇÃO

Os geólogos e a dimensão civilizatória de suas atividades profissionais, artigo de Álvaro Rodrigues dos Santos


[EcoDebate] Em sua magnífica obra, Novum Organum (O Novo Método), Francis Bacon (1561 – 1626), notável e influente filósofo e cientista inglês, sentenciou: “Nature to be commanded must be obeyed”, “A Natureza para ser comandada precisa ser obedecida”.
Detendo-nos na frase de Francis Bacon, expressão que revela a maravilhosa capacidade de percepção e síntese própria dos sábios, podemos entendê-la como a essência científica e metodológica do trabalho dos geólogos.
Para o atendimento de suas necessidades (energia, transporte, alimentação, moradia, segurança física, comunicação…) o Homem é inexoravelmente levado a utilizar-se de uma série de recursos naturais (água, petróleo, minérios, energia hidráulica, solos…) e a ocupar e modificar espaços naturais das mais diversas formas (cidades, agricultura, indústria, minerações, usinas elétricas, vias de transportes, portos, canais, disposição de rejeitos ou resíduos…), o que implica necessariamente em interferir na natureza geológica e em seus processos dinâmicos, condição que já o transformou no mais poderoso agente geológico hoje atuante na superfície do Planeta. Para que esse “comando” da natureza seja coroado de êxito, suas intervenções devem incorporar (obedecer) as leis que regem as características geológicas dos materiais e dos processos geológicos naturais afetados.
Para obedecê-las (as Leis da Natureza), entendê-las, ou seja, estudar e compreender o meio geológico que deverá sofrer determinada intervenção e como esse meio reagirá frente às novas solicitações que lhe serão impostas; de tal forma a traduzir esses conhecimentos nas atitudes comportamentais e nas soluções de engenharia a serem adotadas. Será assim o trabalho do geólogo a condição elementar para que as atividades humanas dessa ordem sejam inteligentes, exitosas e provedoras da qualidade de vida no planeta, para essa e para as futuras gerações.
Hans Closs-(1885- 1951), eminente geólogo alemão, em consonância com a postulação de Francis Bacon, elevou o trabalho dos geólogos ao patamar de uma responsabilidade civilizatória: “Só uns poucos tomam, por todos os demais, o encargo nobre e pleno da responsabilidade de custodiar a escritura sagrada da Terra, de lê-la e interpretá-la, pois o enlace consciente do homem com sua estrela está confiado a uma ciência em especial, a GEOLOGIA”.
Que todos os geólogos tenham a percepção da transcendência, da beleza e do alcance civilizatório de sua atividade profissional e das responsabilidades que, por decorrência de sua ciência mãe, a Geologia, lhes cabe abraçar e desempenhar.
Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)
  • Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas
  • Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para Elaboração e Uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”
  • Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia
  • Articulista da EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/06/2020

segunda-feira, 15 de junho de 2020

DESCOBERTAS NOVAS ESTRUTURAS NO INTERIOR DA TERRA

Cientistas encontram estruturas não identificadas nas profundezas da Terra
Vinicius Szafran, editado por Fabiana Rolfini 12/06/2020 

Quase 30 anos de dados de terremotos foram analisados para investigar enormes e misteriosos objetos perto do núcleo do planeta

Cientistas descobriram uma enorme e densa estrutura que ocupa a fronteira entre o núcleo externo líquido da Terra e o manto inferior. Essa camada fica a cerca de três mil quilômetros abaixo da superfície.
Para encontrar tal estrutura, os pesquisadores contaram com o auxílio de um algoritmo de aprendizado de máquina, inicialmente desenvolvido para analisar galáxias distantes. A pesquisa foi publicada na revista Science.
Uma das anomalias, localizada nas profundezas das Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, nunca havia sido encontrada antes. Descobriu-se também que uma outra estrutura similar, abaixo do Havaí, é na verdade muito maior do que o estimado anteriormente.
A equipe de pesquisadores, liderados por Doyeon Kim, sismólogo e pós-doutorando da Universidade de Maryland, alimentaram o algoritmo chamado "Sequencer" com sismogramas capturados de centenas de terremotos ocorridos entre 1990 e 2018. Embora estudos sismológicos tendam a se concentrar em conjuntos de dados relativamente pequenos da atividade regional de terremotos, o "Sequencer" permitiu a análie de sete mil terremotos, cada um com magnitude de pelo menos 6,5 pontos na escala Richter, que abalaram o subsolo do Oceano Pacífico nos últimos 30 anos.
"Este estudo é muito especial porque, pela primeira vez, conseguimos analisar sistematicamente um conjunto de dados tão grande, que realmente cobrem mais ou menos toda a bacia do Pacífico", afirmou Kim à Vice. Embora estruturas no fundo do planeta já tenham sido mapeadas, a pesquisa é uma oportunidade para "reunir tudo e tentar explicar em um contexto global", segundo o pesquisador.
Reprodução
Ilhas Marquesas. Imagem: Tom Patterson

Ondas de cisalhamento

Terremotos criam ondas sísmicas que viajam pelo interior da Terra, onde são espalhadas e distorcidas por estruturas profundas dentro do nosso planeta. Esses padrões distorcidos são capturados em sismogramas, permitindo que os sismólogos capturem vislumbres do subterrâneo inacessível do nosso planeta.
A equipe se concentrou nos dados produzidos pelas ondas de cisalhamento (S), que viajam ao longo da fronteira entre o núcleo e a porção inferior do manto da Terra. Essas são as ondas secundárias mais lentas que seguem os tremores iniciais, chamados de ondas primárias (P) e que produzem sinais mais claros.
A equipe procurou as ondas S difratando ao longo do manto principal. Quando as ondas S atingem essas estruturas, produzem um tipo de assinatura semelhante a um eco (chamado "pós-cursor"). Esses ecos indicam a presença de anomalias nas profundezas do planeta, denominadas zonas de velocidade ultra baixa (ULVZs), que são manchas densas no limite do núcleo.
Não se sabe exatamente como as ULVZs são formadas ou do que são feitas, mas sabe-se que elas têm diâmetros de cerca de 100 quilômetros e são densas o bastante para desacelerar as ondas que passam por elas.
Ao analisar milhares de dados no "Sequencer", os cientistas descobriram que os sinais pós-cursor mais fortes estavam no Havaí e nas Ilhas Marquesas. Isso evidencia a existência de duas "mega ULVZs", zonas com mil quilômetros ou mais.

Reprodução
Mapa do interior da Terra com base no novo estudo. Imagem: D. Kim, V. Lekíc, B. Ménard, D. Baron e M. Taghizadeh-Popp
As "mega ULVZs" são estruturas intrigantes não apenas por seu tamanho, mas porque podem ser compostas de materiais exóticos que remontam a um tempo antes de termos uma Lua. Essas enormes anomalias poderiam ser material parcialmente derretido que antecede o evento de formação da Lua, supostamente resultado de uma colisão gigantesca entre a Terra primitiva e um objeto do tamanho de Marte há mais de quatro bilhões de anos.
"Isso é muito interessante, porque pode indicar que as mega ULVZs são especiais e podem hospedar assinaturas geoquímicas primitivas que foram relativamente desmistificadas desde o início da história da Terra", explicou Kim.
O estudo demonstra as aplicações de algoritmos como o Sequencer, que usam um processo chamado aprendizado não supervisionado, para processar conjuntos de dados complexos como os de sismologia e astronomia. Ao contrário de algoritmos de aprendizado supervisionado, treinados para classificar as informações com base em rótulos conhecidos, os algoritmos não supervisionados são projetados para encontrar insights em conjuntos de dados não rotulados - basicamente, quando você não sabe ao certo o que está procurando.
A equipe planeja continuar desenvolvendo a nova técnica ao examinar ondas de frequência mais alta que podem fornecer mais detalhes sobre as estruturas entre o manto e o núcleo do planeta. Os pesquisadores também pretendem expandir seus conjuntos de dados para sismogramas do Oceano Atlântico.

domingo, 31 de maio de 2020

MUDANÇAS NO CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE

Uma estranha anomalia está enfraquecendo o campo magnético da Terra

O campo magnético da Terra continua sendo afetado por uma anomalia misteriosa, flagrada por um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA). Aliás, os dados coletadas indicam que o fenômeno estranho tem se agravado nos últimos tempos.
A Anomalia do Atlântico Sul se estende desde a América do sul até o sudoeste da África, sendo uma vasta extensão de intensidade magnética reduzida. O campo magnético da Terra atua como se fosse um escudo protegendo o planeta de ventos solares e da radiação cósmica, por isso qualquer alteração precisa de monitoramento.
Por enquanto, não há nada de preocupante, indica a ESA. Entretanto, os principais efeitos podem causar falhas nos satélites e nas naves espaciais, que podem ser expostos a uma maior quantidade de partículas carregadas. Isso desde que passem nos céus do Oceano Atlântico Sul.

O campo magnético da Terra está mais fraco?

Pesquisas indicam que durante os últimos dois séculos o campo magnético da Terra reduziu cerca de 9%. Além disso, somente nos últimos 50 anos a redução foi de 24.000 nanoteslas para 22.000 nanoteslas. Isso foi auxiliado pela Anomalia do Atlântico Sul.
Entretanto, os pesquisadores da ESA ainda não conseguiram identificar porque essa condição está acontecendo. Mas, eles sabem que o campo magnético da Terra é produzido por correntes elétricas geradas dentro do núcleo externo de nosso planeta. E embora a condição seja estável, em escalas de tempo existem alterações.

Alterações como essa são normais

Estudos indicaram que o campo magnético da Terra constantemente sofre alterações, mudando a cada centenas de milhares de anos. Além disso, os polos magnéticos norte e sul costumam trocar de lugar.
A questão é que os pesquisadores não conseguem fazer a junção dessa condição com a Anomalia do Atlântico Sul, que poderia ser causada por um reservatório de rochas densas na África. Mas, eles sabem que a anomalia não está parada e desde 1970 vem se movendo para oeste, numa velocidade de 20 quilômetros por ano.
Nos últimos 5 anos um segundo centro de intensidade mínima começou a se abrir dentro da anomalia, fato indicado pelo satélite Swarm, da ESA. Assim, pode ser um procedimento para que a anomalia se divida em duas células separadas, com o original acima da América do Sul e a nova célula chegando ao sudoeste da África.
“O novo mínimo oriental da Anomalia do Atlântico Sul apareceu na última década e, nos últimos anos, está se desenvolvendo vigorosamente”, diz o geofísico Jürgen Matzka, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências.
Os pesquisadores adotam como desafio a compreensão dos processos que acontecem no núcleo da Terra e que permitem essas mudanças. Por enquanto eles ainda não sabem quais serão os próximos passos da anomalia, mas sugerem que um evento como este é comum, se pensarmos ao longo de centenas de anos.
De fato, os cientistas vão continuar analisando essa anomalia, até que tudo fique mais claro e respostas sejam dadas.
Acesse o site da ESA para saber mais.
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sábado, 26 de janeiro de 2019

BRUMADINHO: DE QUANTAS CATÁSTROFES PRECISAMOS?


Três anos após o rompimento de uma barragem da Samarco (Vale + BHP) em Mariana, a população brasileira acompanha estupefata o rompimento simultâneo de três barragens em Brumadinho. Ali, bem ali perto do Inhotim, a maior exposição de arte moderna do mundo, a lama da Vale cobre agora e para sempre os corpos de dezenas de pessoas. Serão inseridas na conta de "desaparecidas".

Políticos se mobilizam para expressar fingida angústia pelo evento catastrófico. Paralelamente, assistimos aos desmonte governamental das instituições e dispositivos criados para a proteção ambiental... Tanta hipocrisia! Entretanto, o presidente do País afirma que o governo federal "não tem nada a ver" com o que chamou de "a questão da empresa".

É isto mesmo! Estamos "nas mãos" das empresas, o governo federal quer apenas que as elas paguem impostos e criem postos de trabalho para colaborar com a paz social (mesmo com o risco de vida dos trabalhadores). O governo federal não precisa nem mesmo fiscalizar, porque ele concede às mineradoras o automonitoramento.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, em operação de resgate após o acidente de Brumadinho. O Poder Executivo do Estado Brasileiro, não tem nada a ver com isso.

O sistema de barragens da Vale em Brumadinho era considerado de baixo risco e tem todo o processo de licenciamento e vistorias em dia, atestando sua segurança. Minha opinião: a engenharia de minas brasileira faz o jogo das empresas, buscando o baixo custo e desprezando os riscos; e o sistema de automonitoramento concedido às mineradoras está na origem dos problemas de segurança que impactam pessoas e meio ambiente.

Links:
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/26/juiz-de-mg-bloqueia-r-20-bi-de-acoes-da-vale-na-bovespa-madri-e-nova-york.htm
https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/ao-vivo/barragem-da-vale-se-rompe-em-brumadinho-na-grande-bh.ghtml
https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/01/26/vale-divulga-lista-de-pessoas-sem-contato-em-brumadinho.ghtml
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/25/desastre-em-barragem-de-brumadinho-e-destaque-na-imprensa-internacional.htm



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

COMO ELABORAR RELATÓRIOS DE CAMPO

Um trabalho de campo só tem valor pedagógico e acadêmico quando sucedido pela elaboração de relatório. Um bom relatório deve ser objetivo, informativo e apresentável. O estudante deve ter sempre em mente que relatórios são parte fundamental do processo de conhecimento científico e refletem a capacidade de quem os redige.

Professor Márcio José dos Santos

Relatório de Trabalho de Campo é descritivo, isto é, o relator deverá descrever as suas observações, registrando também informações importantes do trajeto, do acesso e do local investigado. Para facilitar a visualização e/ou identificação do terreno, é importante apresentar mapas, fotos e/ou croquis.

Relatórios sempre devem ser escritos de forma impessoal, no tempo verbal passado e indicar com clareza todo o desenvolvimento do trabalho. Especificamente para trabalhos de campo, os componentes mínimos de um relatório estão descritos abaixo.

Capa: apresenta o logotipo e nome da instituição, título do relatório, local em que foi elaborado e data da elaboração. 

Folha de rosto: apresenta as mesmas informações trazidas na capa, acrescidas do nome do responsável, além de outras informações, como nome da equipe e data da realização do trabalho.

Introdução: É uma referência à disposição que motivou ou determinou a elaboração e apresenta breve histórico do objetivo ou objetivos a serem alcançados no trabalho de campo.

Roteiro: breve descrição do roteiro, preferencialmente acompanhada de um mapa geográfico com indicação dos pontos visitados.

Desenvolvimento ou descrição dos pontos de observação: é a parte principal do relatório, por isto, ela deve ser bem detalhada. No caso de observações geológicas, as medições, croquis e fotos ilustrativos das observações podem enriquecer o relatório. O relator pode optar pela apresentação das ilustrações em item específico, mas isto dificulta a clareza e objetividade das descrições. A exposição do conteúdo deve ser lógica, partindo das observações abrangentes para as particularidades:

Tabelas, quadros, figuras e imagens constantes de um relatório devem ser numerados.

Conclusão / Considerações: conclusão ou conclusões a que se chegou, tendo em conta o objetivo ou objetivos propostos para o trabalho. Podem ou não ser acompanhadas de sugestões e/ou críticas, sempre precisas, práticas e concretas, relacionadas com a análise feita. Ao final do relatório deve-se indicar o local e a data de conclusão, seguidos pela assinatura do responsável (ou responsáveis).

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Como Elaborar Trabalhos Acadêmicos

Para se publicar um texto técnico-científico, é necessário que sejam seguidas certas normas técnicas. No Brasil, essas normas são estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Toda produção escrita relacionada com o curso superior, fruto de pesquisa ou reflexão, recebe a denominação geral de trabalho científico ou trabalho acadêmico. São exemplos de trabalhos acadêmicos: dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, artigos de periódicos, ensaios, resenhas, relatórios, resumos, etc. Nas diversas publicações que tratam da editoração de trabalhos acadêmicos, ou mesmo nas normas da ABNT, não há qualquer referência explícita à elaboração de trabalhos de alunos de graduação e de pós-graduação. É preciso considerar, no entanto, que é no curso superior que os alunos começam a despertar o interesse pela publicação dos mais variados tipos de trabalhos acadêmicos. É necessário, portanto, que os trabalhos escolares, desde os primeiros anos do curso superior, sejam elaborados de acordo com as normas vigentes, a fim de que o aluno possa ir dominando aos poucos essa técnica de editoração, tão importante no meio acadêmico.

Como não há uma denominação consagrada para os trabalhos de alunos que são feitos durante o curso de graduação e pós-graduação, daremos a eles o nome de trabalhos acadêmicos stricto sensu, ou simplesmente, Trabalhos Acadêmicos (TA’s).

O presente trabalho tem como objetivo:
a)      Apresentar as características gerais de um TA;
b)      Facilitar a vida acadêmica dos alunos de graduação e de pós-graduação, oferecendo-lhes um guia prático e objetivo de consulta para a elaboração de TA’s.
c)      Iniciar o aluno de curso superior nas técnicas de elaboração de TA’s, o que, sem dúvida facilitará e incentivará as suas atividades de pesquisa.

Para a consecução desses objetivos, baseamo-nos em bibliografia especializada (indicada no final deste trabalho) e especialmente nas normas da ABNT. (...) Para não nos perdermos em minúcias, estamos nos baseando principalmente na NBR 6023, publicada em agosto de 2000 pela ABNT, cuja referência bibliográfica completa se encontra no final deste trabalho (ABNT, 2000).

TA’s: CARACTERÍSITCAS GERAIS

Um TA é um trabalho que apresenta um tema bem delimitado e um objetivo definido. Não deve ser apenas a compilação de posições a respeito de um assunto, mas a descrição de um tema ou de um fenômeno determinado ou ainda a tentativa de solução de um problema específico.
Um TA deve apresentar as seguintes partes: folha de rosto (cf. item 3.14), texto (corpo do trabalho) e referências bibliográficas (cf. item 6).

O texto do TA deve apresentar, explicitamente ou não, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.

A introdução deve ser clara, breve e direta, contendo principalmente a justificativa (o que leva o aluno a fazer o trabalho?) e o objetivo (o que pretende o aluno demonstrar no trabalho?). Toda introdução deve apresentar, ainda que implicitamente, uma proposta, uma pergunta, uma dúvida ou uma hipótese.
O desenvolvimento pode ser dividido em partes, como: metodologia aplicada, conceitos teóricos indispensáveis à compreensão do trabalho, exposição, análise e interpretação dos dados, conclusões parciais, etc.

A conclusão é uma retomada do objetivo exposto na introdução. O aluno poderá recolocar, de maneira sucinta, as conclusões parciais do desenvolvimento e apresentar uma conclusão final do trabalho.

O TA deve ser escrito em linguagem técnica, neutra, concisa, devendo-se evitar palavras, expressões e frases coloquiais (características da linguagem oral, como bem, então), subjetivas (eu acho, na minha opinião) e/ou intensificadoras (muito, expressamente). Como norma, deve-se sempre preferir os termos técnicos aos não-técnicos. Também como norma, deve-se cortar tudo o que for dispensável, podando-se o texto de termos e expressões inúteis.

Na elaboração do TA usa-se o português padrão, ou culto, devendo o aluno  tomar cuidado com todo tipo de erro, desde os mais simples (ortografia, por exemplo), até os mais complexos (estruturação do período, concordância, coesão, coerência, etc.) Entendemos por língua padrão aquela que é usada nos termos técnicos, científicos e informativos e que estão configurados nos livros, artigos, trabalhos e documentos técnico-científicos, na chamada redação oficial (ofícios, cartas, memorandos, relatórios, requerimentos, abaixo-assinados, leis, decretos, etc.), na redação comercial, nos manuais de instrução, nos impressos informativos e congêneres. Trata-se, enfim, de textos que façam uso, primordialmente, da linguagem denotativa, representativa e informativa, sem intuitos ambiguizadores, irônicos, pejorativos, artísticos ou provocativos, como é a linguagem literária, por exemplo.

A clareza e objetividade são itens essenciais nos TA’s. Recomenda-se aos alunos que usem frases curtas, tomando um cuidado especial com a pontuação (na dúvida, pontue). Os TA’s, por serem textos de menor porte, não devem apresentar notas de rodapé, notas no fim do trabalho, epígrafes, índice, sumário e resumo. Para esclarecimentos sobre esses itens, o leitor deve consultar uma bibliografia especializada, como FRANÇA et al. (1998).

Todo TA (bem como todo artigo, tese, livro etc.), como dissemos anteriormente, deve seguir as normas da ABNT. Para que isso seja possível, o TA deve ser digitado em computador. Assim, o aluno aprenderá a usar as normas técnicas e o professor poderá corrigir os trabalhos adequadamente. Mesmo que em alguns cursos de graduação e de pós-graduação não haja uma disciplina que trate especificamente desse assunto, é necessário que os alunos e os professores se conscientizem da necessidade de se redigirem os TA’s de acordo com as normas vigentes.

Grande parte dos alunos de graduação, e mesmo de pós-graduação, tem dificuldade com as referências de autoria que devem aparecer no corpo do trabalho e depois descritas no item Referências ou em Notas de Pé de Página. Para não se perder nesta questão, consulte as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, clicando AQUI. Este documento apresenta modelos padronizados de fácil aplicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Rio de Janeiro. Informação e documentação: referências – elaboração: 6023: 2000. Rio de Janeiro, 2000.

FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 4. ed. rev. e aum. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.