Quebra Pedras

BLOG DEDICADO A ALUNOS DE GEOLOGIA

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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

COMO ELABORAR RELATÓRIOS DE CAMPO

Um trabalho de campo só tem valor pedagógico e acadêmico quando sucedido pela elaboração de relatório. Um bom relatório deve ser objetivo, informativo e apresentável. O estudante deve ter sempre em mente que relatórios são parte fundamental do processo de conhecimento científico e refletem a capacidade de quem os redige.

Professor Márcio José dos Santos

O Relatório de Trabalho de Campo é descritivo, isto é, o relator deverá descrever as suas observações, registrando também informações importantes do trajeto, do acesso e do local investigado. Para facilitar a visualização e/ou identificação do terreno, é importante apresentar mapas, fotos e/ou croquis.

Relatórios sempre devem ser escritos de forma impessoal, no tempo verbal passado e indicar com clareza todo o desenvolvimento do trabalho. Especificamente para trabalhos de campo, os componentes mínimos de um relatório estão descritos abaixo.

Capa: apresenta o logotipo e nome da instituição, título do relatório, local em que foi elaborado e data da elaboração. 

Folha de rosto: apresenta as mesmas informações trazidas na capa, acrescidas do nome do responsável, além de outras informações, como nome da equipe e data da realização do trabalho.

Introdução: É uma referência à disposição que motivou ou determinou a elaboração e apresenta breve histórico do objetivo ou objetivos a serem alcançados no trabalho de campo.

Roteiro: breve descrição do roteiro, preferencialmente acompanhada de um mapa geográfico com indicação dos pontos visitados.

Desenvolvimento ou descrição dos pontos de observação: é a parte principal do relatório, por isto, ela deve ser bem detalhada. No caso de observações geológicas, as medições, croquis e fotos ilustrativos das observações podem enriquecer o relatório. O relator pode optar pela apresentação das ilustrações em item específico, mas isto dificulta a clareza e objetividade das descrições. A exposição do conteúdo deve ser lógica, partindo das observações abrangentes para as particularidades:

Tabelas, quadros, figuras e imagens constantes de um relatório devem ser numerados.

Conclusão / Considerações: conclusão ou conclusões a que se chegou, tendo em conta o objetivo ou objetivos propostos para o trabalho. Podem ou não ser acompanhadas de sugestões e/ou críticas, sempre precisas, práticas e concretas, relacionadas com a análise feita. Ao final do relatório deve-se indicar o local e a data de conclusão, seguidos pela assinatura do responsável (ou responsáveis).

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Como Elaborar Trabalhos Acadêmicos

Para se publicar um texto técnico-científico, é necessário que sejam seguidas certas normas técnicas. No Brasil, essas normas são estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Toda produção escrita relacionada com o curso superior, fruto de pesquisa ou reflexão, recebe a denominação geral de trabalho científico ou trabalho acadêmico. São exemplos de trabalhos acadêmicos: dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, artigos de periódicos, ensaios, resenhas, relatórios, resumos, etc. Nas diversas publicações que tratam da editoração de trabalhos acadêmicos, ou mesmo nas normas da ABNT, não há qualquer referência explícita à elaboração de trabalhos de alunos de graduação e de pós-graduação. É preciso considerar, no entanto, que é no curso superior que os alunos começam a despertar o interesse pela publicação dos mais variados tipos de trabalhos acadêmicos. É necessário, portanto, que os trabalhos escolares, desde os primeiros anos do curso superior, sejam elaborados de acordo com as normas vigentes, a fim de que o aluno possa ir dominando aos poucos essa técnica de editoração, tão importante no meio acadêmico.

Como não há uma denominação consagrada para os trabalhos de alunos que são feitos durante o curso de graduação e pós-graduação, daremos a eles o nome de trabalhos acadêmicos stricto sensu, ou simplesmente, Trabalhos Acadêmicos (TA’s).

O presente trabalho tem como objetivo:
a)      Apresentar as características gerais de um TA;
b)      Facilitar a vida acadêmica dos alunos de graduação e de pós-graduação, oferecendo-lhes um guia prático e objetivo de consulta para a elaboração de TA’s.
c)      Iniciar o aluno de curso superior nas técnicas de elaboração de TA’s, o que, sem dúvida facilitará e incentivará as suas atividades de pesquisa.

Para a consecução desses objetivos, baseamo-nos em bibliografia especializada (indicada no final deste trabalho) e especialmente nas normas da ABNT. (...) Para não nos perdermos em minúcias, estamos nos baseando principalmente na NBR 6023, publicada em agosto de 2000 pela ABNT, cuja referência bibliográfica completa se encontra no final deste trabalho (ABNT, 2000).

TA’s: CARACTERÍSITCAS GERAIS

Um TA é um trabalho que apresenta um tema bem delimitado e um objetivo definido. Não deve ser apenas a compilação de posições a respeito de um assunto, mas a descrição de um tema ou de um fenômeno determinado ou ainda a tentativa de solução de um problema específico.
Um TA deve apresentar as seguintes partes: folha de rosto (cf. item 3.14), texto (corpo do trabalho) e referências bibliográficas (cf. item 6).

O texto do TA deve apresentar, explicitamente ou não, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.

A introdução deve ser clara, breve e direta, contendo principalmente a justificativa (o que leva o aluno a fazer o trabalho?) e o objetivo (o que pretende o aluno demonstrar no trabalho?). Toda introdução deve apresentar, ainda que implicitamente, uma proposta, uma pergunta, uma dúvida ou uma hipótese.
O desenvolvimento pode ser dividido em partes, como: metodologia aplicada, conceitos teóricos indispensáveis à compreensão do trabalho, exposição, análise e interpretação dos dados, conclusões parciais, etc.

A conclusão é uma retomada do objetivo exposto na introdução. O aluno poderá recolocar, de maneira sucinta, as conclusões parciais do desenvolvimento e apresentar uma conclusão final do trabalho.

O TA deve ser escrito em linguagem técnica, neutra, concisa, devendo-se evitar palavras, expressões e frases coloquiais (características da linguagem oral, como bem, então), subjetivas (eu acho, na minha opinião) e/ou intensificadoras (muito, expressamente). Como norma, deve-se sempre preferir os termos técnicos aos não-técnicos. Também como norma, deve-se cortar tudo o que for dispensável, podando-se o texto de termos e expressões inúteis.

Na elaboração do TA usa-se o português padrão, ou culto, devendo o aluno  tomar cuidado com todo tipo de erro, desde os mais simples (ortografia, por exemplo), até os mais complexos (estruturação do período, concordância, coesão, coerência, etc.) Entendemos por língua padrão aquela que é usada nos termos técnicos, científicos e informativos e que estão configurados nos livros, artigos, trabalhos e documentos técnico-científicos, na chamada redação oficial (ofícios, cartas, memorandos, relatórios, requerimentos, abaixo-assinados, leis, decretos, etc.), na redação comercial, nos manuais de instrução, nos impressos informativos e congêneres. Trata-se, enfim, de textos que façam uso, primordialmente, da linguagem denotativa, representativa e informativa, sem intuitos ambiguizadores, irônicos, pejorativos, artísticos ou provocativos, como é a linguagem literária, por exemplo.

A clareza e objetividade são itens essenciais nos TA’s. Recomenda-se aos alunos que usem frases curtas, tomando um cuidado especial com a pontuação (na dúvida, pontue). Os TA’s, por serem textos de menor porte, não devem apresentar notas de rodapé, notas no fim do trabalho, epígrafes, índice, sumário e resumo. Para esclarecimentos sobre esses itens, o leitor deve consultar uma bibliografia especializada, como FRANÇA et al. (1998).

Todo TA (bem como todo artigo, tese, livro etc.), como dissemos anteriormente, deve seguir as normas da ABNT. Para que isso seja possível, o TA deve ser digitado em computador. Assim, o aluno aprenderá a usar as normas técnicas e o professor poderá corrigir os trabalhos adequadamente. Mesmo que em alguns cursos de graduação e de pós-graduação não haja uma disciplina que trate especificamente desse assunto, é necessário que os alunos e os professores se conscientizem da necessidade de se redigirem os TA’s de acordo com as normas vigentes.

Grande parte dos alunos de graduação, e mesmo de pós-graduação, tem dificuldade com as referências de autoria que devem aparecer no corpo do trabalho e depois descritas no item Referências ou em Notas de Pé de Página. Para não se perder nesta questão, consulte as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, clicando AQUI. Este documento apresenta modelos padronizados de fácil aplicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Rio de Janeiro. Informação e documentação: referências – elaboração: 6023: 2000. Rio de Janeiro, 2000.

FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 4. ed. rev. e aum. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PETROLOGIA METAMÓRFICA - PROF. MANFREDO WINGE

Colocamos à disposição neste blog o excelente trabalho de Petrologia Metamórfica do Prof. Manfredo Winge, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília.

Para acessar o trabalho, clique em Petrologia Metamórfica.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

METAMORFISMO REGIONAL OU DINAMOTERMAL

O metamorfismo regional é aquele que ocorre em grandes áreas da crosta, particularmente associado à tectônica de placas convergentes. A maioria das rochas metamorfizadas regionalmente ocorre em áreas que foram submetidas a deformação durante um evento orogênico, resultando em cadeias de montanhas que posteriormente foram erodidas, expondo assim as rochas metamórficas. 

Para acessar o conteúdo, clique em:

Metamorfismo Regional ou Dinamotermal.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

METAMORFISMO DE IMPACTO (CHOQUE)

Os impactos dos meteoritos estão recebendo muita atenção nos dias de hoje. O público os considera como o destruidor de dinossauros e como o possível destruidor da civilização. A grande comunidade de ciência planetária vê impactos como o processo que ajudou a formar o sistema solar e ainda está modificando planetas, mais de 4 B.a. depois de formados. Um número crescente de geocientistas vem apreciando a importância dos eventos de impacto de meteorito e a extensão de sua influência na história geológica e biológica da Terra, com vários eventos de extinção brusca de espécies.

Para acessar o conteúdo, clique em:

Metamorfismo de impacto (choque).

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

METAMORFISMO CATACLÁSTICO

A trituração das rochas à medida que se deslocam ao longo de uma falha ativa pulveriza-as; daí o termo metamorfismo cataclástico (cata - para catastrófico e clástico - para fragmentação). As rochas que experimentam metamorfismo cataclástico são submetidas a condições súbitas de alta pressão e baixa temperatura, resultando em uma mudança na textura da rocha original. Nas falhas profundas, o movimento continuado das rochas levará à formação de dois tipos distintos de rochas metamórficas: as rochas da série cataclástica, nas porções mais superficiais da crosta, e as rochas miloníticas, nas partes mais profundas, de temperaturas mais elevadas. Uma vez que o metamorfismo cataclástico ocorre onde as rochas movimentam-se umas sobre as outras na falha, é uma característica comum ao longo da maioria dos limites das placas, onde elas se interagem, gerando tensões tremendas e movimentos resultantes na crosta.


Para acessar o conteúdo desta matéria, clique em Metamorfismo Cataclástico.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

sábado, 19 de agosto de 2017

TECTÔNICA DE PLACAS

"Este mundo curioso que habitamos é mais maravilhoso do que conveniente; mais bonito do que útil; é mais para ser admirado e apreciado do que usado."
Henry David Thoreau


Para acessar o conteúdo desta postagem, clique em Tectônica de Placas.

domingo, 18 de junho de 2017

SONDAGEM EM GEOLOGIA

Grande parte dos geólogos terá trabalhado com sondagens durante sua vida profissional. Portanto, ter noção dos diferentes tipos e aplicações da sondagem é fundamental para a boa qualidade do seu trabalho.

O texto que poderá ser acessado aqui servirá de base para o Exercício Avaliativo 6, a ser aplicado em 21 de junho. 

Para acessá-lo, clique em Sondagem em Geologia.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

REGISTRO DE FEIÇÕES DE ROCHAS METAMÓRFICAS

As rochas metamórficas têm grande importância na geologia porque elas registram a evolução tectônica de um cinturão metamórfico, muitas vezes com vários eventos de deformação. São elas, portanto, que nos fornecem a maior parte das informações sobre os ambientes profundos e os processos deformacionais associados ao fechamento de bacias de sedimentação. Afora isto, grande variedade de depósitos minerais de interesse econômico estão associadas ao metamorfismo; assim, o estudo das rochas metamórficas são fundamentais na pesquisa e exploração de recursos minerais.

Para acessar o texto referente a este assunto, clique em Registro de feições de rochas metamórficas.

terça-feira, 30 de maio de 2017

REGISTROS DE INFORMAÇÕES ESTRUTURAIS

A medição de estruturas rochosas é parte fundamental do mapeamento geológico, que possibilita a visão não apenas da distribuição das diferentes litologia, mas também seus comportamentos e relações abaixo da superfície. Ela fornece informações sobre como e por que a crosta superior se deforma em situações particulares, especificamente a orientação das tensões regionais e locais e a direção do movimento das falhas. Esses dados nos ajudam a entender o porquê, como e onde ocorrem terremotos; entender os sistemas de fratura também é crítico na exploração eficiente de recursos de petróleo, gás, carvão e minerais; as estruturas rochosas fornecem não só desafios, mas também oportunidades (como armadilhas de hidrocarbonetos). O movimento de fluidos através da crosta superior é fortemente influenciado por fraturas, de modo que a geologia estrutural desempenha um papel crucial em uma ampla gama de campos relacionados, incluindo estudos de águas subterrâneas, controle de poluição, esquemas geotérmicos e seqüestro e armazenamento de dióxido de carbono. Os principais empreendimentos de engenharia (por exemplo, represas, barragens, autoestradas, túneis) são literalmente baseados em geologia estrutural. 

Suas atividades profissionais como geólogo podem ser muito diferenciadas, de maneira que é provável que você se deparará com a necessidade de medir, registrar e interpretar dados estruturais em sua carreira. O material aqui disponível com certeza poderá lhe ajudar nessa tarefa, porque é baseado em experiências de campo e indica as pistas que você poderá seguir para identificar e registrar as diferentes feições estruturais, transformando-as em informações precisas e úteis.

Para acessar o conteúdo, clique em Registros de Informações Estruturais.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

REGISTRO DE FEIÇÕES DE ROCHAS SEDIMENTARES

Este texto, traduzido livremente do livro de Angela Coen (Geological Field Techniques), me parece ser o que há de melhor no assunto de descrição de rocha. Veja a descrição pormenorizada dos procedimentos de descrição, reconhecimento e registros de depósitos e estruturas sedimentares.

Clique em Registro de feições de rochas sedimentares.

domingo, 28 de maio de 2017

MÉTODOS DE MAPEAMENTO GEOLÓGICO

Os métodos de mapeamento geológico são diversos, cada um deles apropriado às características do terreno e à escala de mapeamento, principalmente. Geralmente, durante um mapeamento geológico são utilizados mais de um método.

O texto aqui apresentado mostra os principais métodos. Para estudá-los, clique em Métodos de mapeamento geológico.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

SEÇÃO GEOLÓGICA E O PROBLEMA DOS 3 PONTOS

O Problema dos 3 Pontos é uma ferramenta que utiliza conceitos básicos de geologia para solucionar questões envolvendo interpretação de mapas geológicos e elaboração de seções geológicas. Desta maneira, é muito útil em prospecção mineral, cubagem e desenvolvimento de jazidas e até mesmo em lavra mineral. É uma metodologia simples, mas que deve seguir rigorosamente os passos que levam à solução correta.

A seguir, vamos acompanhar o passo-a-passo da solução de um exercício envolvendo Seção Geológia e o Problema dos 3 Pontos. Esse exercício foi ligeiramente modificado a partir do original (Exercício 7) proposto no livro Introdução à Interpretação de Mapas Geológicos, do professor Carlos Marcelo Lôbo Maranhão, Editora da Universidade Federal do Ceará.

Exercício 7 - No mapa a seguir, existe uma camada de carvão com 2 m de espessura, que aflora nos pontos A, B e C. Pede-se:
- traçar a linha de afloramento da camada de carvão;
- elaborar a seção geológica X-Y;
- determinar a profundidade desta camada no ponto D;
- uma sondagem vertical no ponto D demonstrou a existência de uma outra camada de carvão 100 m mais profunda que a primeira. Esta segunda camada aflora neste mapa? Em caso positivo, trace a linha de afloramento.

Antes de iniciar a solução do exercício, observe que no mapa existem dois vales (talvegues e suas encostas) separados por uma elevação central, de orientação NW.


SOLUÇÃO:

PASSO 1 - Cálculo da direção da camada: fecha-se o triângulo ABC. As cotas máxima e mínima são B e A, respectivamente, e a cota C é a de valor intermediário. O lado AB do triângulo é dividido ao meio, de maneira que o ponto central é de cota 300 m; a parir daí, une-se este ponto ao ponto C. Esta reta é a horizontal de camada (ou linha de contorno estrutural) de valor 300 m, o que em geologia é a própria direção da camada. Podemos então medir a direção de camada através desta linha, que, neste caso, forneceu o valor N55E.


PASSO 2 - Contorno estutural: traçam-se as linhas de contorno estrutural (CE) para cada curva de nível (CN) e assinalam-se os pontos de interseção entre a CE e a CN correspondente.



PASSO 3 - Traço do afloramento da camada: unem-se os pontos de interseção, surgindo, então, a linha de afloramento da camada de carvão. observe que a linha de afloramento da camada de carvão aparece em ambas as vertentes dos vales.


PASSO 4 - Cálculo do Mergulho: o mergulho da camada pode ser medido graficamente, quando a escala vertical não tem exagero.

Para fazer o cálculo matemático, mede-se o espaçamento entre os contornos estruturais (horizontais de camada), medido em metros na escala do mapa. Como a diferença de cota entre os contornos estruturais é de 50 m, usa-se a fórmula  tg α = 50 / 736    . O resultado, neste caso, é tg α = 0,068, que equivale a α = ±4º.
Agora você poderá escrever a atitude da camada: N55E, 4SE.



PASSO 5 - Elaboração do perfil topográfico e lançamento da geologia:

Se o seu perfil topográfico tiver escala vertical exagerada em relação à escala horizontal, você precisará fazer correção do mergulho das camadas utilizando um ábaco. Lembre-se que, neste caso, o mergulho verdadeiro é 4º SE



Como na seção geológica que vamos aqui utilizar a escala foi exagerada 4 vezes, utiliza-se o ábaco, como na figura acima, para calcular o mergulho aparente. A linha vermelha indica que o mergulho aparente, neste caso, será de 15º. 





Outra maneira de obter o mergulho aparente, para qualquer escala vertical utilizada, é fazer a projeção dos contornos estruturais (CE). como visto na figura abaixo: ligam-se os pontos projetado na cota correspondente de cada contorno estrutural, obtendo-se o traço da camada.




O furo D foi locado fora do perfil e deve ser levado para dentro do perfil na direção da camada. Medindo-se através da escala vertical, verifica-se que ele cortará a primeira camada de carvão a aproximadamente 66,7 m de profundidade, e a segunda camada de carvão a 166,7 m de profundidade.


Para responder se a segundo camada de carvão aflora no mapa, basta observar a seção geológica, a qual mostra que ela aflora no extremo sudeste da seção.

quinta-feira, 23 de março de 2017

ESBOÇOS DE CAMPO: uma imagem vale mais que mil palavras

Os esboços constituem uma parte vital de todas as cadernetas de geologia de campo. Eles incluem: diagramas de paredões ou frentes de pedreiras, esboços de características individuais, tais como uma estrutura fóssil, mineral ou sedimentar; esboços de mapas; seções geológicas e esboços de ideias para a interpretação.

Os esboços são uma das melhores maneiras de registrar e transmitir informações geológicas. Isto, por duas razões:

(1) Eles fornecem um meio de transmitir informações visuais em uma forma facilmente acessível. Por exemplo, é muito mais rápido desenhar a forma de um contato irregular entre dois leitos do que descrevê-lo. Isto, porque a geologia baseia-se principalmente na relação entre diferentes corpos de rocha e suas geometrias tridimensionais, sendo comuns contatos e formas irregulares, e é muito mais fácil de transmitir isso em detalhes em uma figura do que em palavras.

(2) O próprio ato de produzir um bom esboço envolve observar cuidadosamente as características, as unidades e a relação entre todas elas. Se executados corretamente, os esboços podem transmitir muito mais da informação geológica chave do que uma fotografia, porque o autor tem que escolher as características geológicas importantes que se relacionam mais claramente ao objetivo do trabalho de campo, adicionar informações para mostrar de onde outros dados vieram e adicionar uma certa quantidade de interpretação.

Vale a pena ter em mente que o olho humano é muito mais sofisticado do que qualquer câmera. Em quase todos os casos alguns lápis coloridos são úteis para bons esboços no campo e para distinguir diferentes partes do registro de campo. Esboço geológico de campo é uma combinação de um desenho de linha simples das características geológicas relevantes que você pode observar e suas deduções geológicas iniciais. Assim, as fotografias não são uma substituição para esboços, porque elas não são nem seletivas nem dedutivas e você não pode adicionar rótulos e referências cruzadas. Geólogos profissionais usam regularmente uma combinação de fotografias e esboços. Produzir esboços de campo é a habilidade de registro que a maioria dos estudantes de geologia e até mesmo alguns profissionais acham muito difícil, mas é uma habilidade que vale a pena desenvolver.

As figuras a seguir mostram uma gama de diferentes tipos de esboços e estilos. Todos registram dados geológicos. Esboços bidimensionais simples podem fornecer um resumo efetivo de muitas características diferentes em uma variedade de escalas (Figuras a - d). 





Ao contrário, esboços tridimensionais de estruturas sedimentares são complexos e difíceis de executar (Figura e). Neste caso, o autor também tentou corajosamente mostrar a forma do bloco de arenito em que a estrutura foi preservada. Este tipo de esboço não é geralmente recomendado porque: (1) é difícil de desenhar e (2) a estrutura sedimentar é confusa, com a forma das superfícies meteorizadas; (3) a forma do bloco também é irrelevante para a finalidade do exercício que foi para registrar a estrutura sedimentar. 

As secções transversais de esboço simples que mostram a topografia, as exposições e as principais unidades geológicas (Figura d) são muito úteis. Onde as relações entre diferentes unidades de rochas são complexas, um esboço ajudará a focar observações (Figura f). A Figura f também mostra o uso efetivo da cor e uma caixa inserida para mostrar mais detalhes de uma parte.


Princípios gerais: Objetivos, espaço e ferramentas

Antes de iniciar o esboço, você deve decidir sobre os objetivos do esboço. Uma maneira de fazer isso é começar por escrever o título ou legenda do esboço encapsulando os objetivos. Os esboços são geralmente desenhados à mão livre com lápis (isto é, não com uma régua). Desenho em lápis é vantajoso, pois permite que você apague erros e/ou redesenhe parte do esboço. Com um lápis também é mais fácil desenhar linhas de diferentes espessuras e intensidade, bem como sombrear parte da figura para trazer características diferentes (Figura abaixo).


Uma minoria de pessoas esboça diretamente na caneta, mas isso não é recomendado porque é impossível corrigir erros ou fazer melhorias, de modo que a precisão é comprometida. A maioria de esboços ficam melhores no papel liso, embora algumas pessoas achem que o papel com linhas ou  o milimetrado seja útil para fazer escalas.
Aqui estão algumas ideias para produzir um bom esboço.

• Espaço: Deixe espaço suficiente na sua caderneta para o esboço, para que haja espaço para adicionar rótulos que sintetizem observações, escala e orientação, desenhos detalhados de partes pertinentes (inserções), referências cruzadas a esboços ou outras notas escritas e rótulos resumindo notas de interpretação. É também muito mais fácil esboçar em uma escala maior; se você não é bom em esboçar pode ser tentador empurrar o esboço em um canto de uma página da caderneta, mas isso tornará muito mais difícil para si mesmo. Então, tome o seu tempo e use uma página inteira ou mesmo duas páginas destinadas para o esboço e rótulos. Não estrague um bom esboço com rótulos demais ou coloque etiquetas no esboço para que obscureçam partes dele. arca de uma maneira similar às Figuras 4.3 c (acima) e 4.3 f (abaixo).



• Escala: Todos os esboços devem incluir uma escala. A precisão da escala do esboço dependerá da finalidade do campo de trabalho. No entanto, é importante obter as características em proporção. Para esboços de paredões, encostas, etc, uma vez que você estabeleceu uma escala para uma pequena porção (por exemplo, a partir da altura de uma pessoa ou tamanho de um veículo) use o polegar mantido em comprimento de braço para estimar a escala para o restante do esboço.

• Orientação: Todos os esboços devem incluir uma orientação em relação ao norte e uma indicação clara de se é uma vista em planta, vista oblíqua ou seção transversal (por exemplo, paredão). A maneira mais simples e mais comum de adicionar uma orientação é usar uma seta norte para qualquer vista em plano e rotular as extremidades das seções transversais com os pontos da bússola mais próximos, p. NW - SE ou NNW - SSE. Alternativamente, você pode marcar seu ponto de observação no centro do esboço, p. e., com vista para sudeste ou para 135°. O último método é popular para vistas de superfícies oblíquas, mas não é recomendado para seções de paredão, porque não é tão claro.

• Ângulos e geometria: Os limites entre as unidades e as características dentro das unidades (por exemplo, estratificação cruzada ou dobramento) são mais bem mostrados aproximadamente com o ângulo correto de imersão. Isso não só fará com que o esboço pareça mais realista, será mais preciso e tornará os recursos mais fáceis de identificar. Em geral, as pessoas tendem a exagerar ângulos (isto é, torná-los mais íngremes). Uma técnica simples para obter uma boa estimativa do ângulo é usar o seu clinômetro de bússola.

• Caixas de inserção para detalhes: Em alguns casos, o recurso geológico se repete em pequena escala, ou há uma parte particular do paredão que você deseja coletar dados em mais detalhes. Então, ao invés de colocar o detalhe em toda a face do paredão, uma técnica útil é desenhar as principais características do esboço e depois adicionar uma caixa para indicar a área onde uma fotografia foi tirada ou um esboço mais detalhado foi construído (Figura F, a seguir, e figura anterior). Isso também permite desenhar a parte detalhada em uma escala maior, se apropriado.

• Cor: Um lápis de cor verde pode ser útil para mostrar a vegetação e separa-a claramente da parte geológica do esboço. Um lápis colorido vermelho ou azul é útil para referências cruzadas, itens particulares ou características-chave.

Esboços de exposições

Esboços de partes inteiras ou representativas de exposições tais como penhascos, cortes de estradas e caras de pedreiras são comumente usados ​​para observar e mostrar um ou mais dos seguintes:

• as unidades principais e a(s) relação(ões) geométrica(s) entre elas;
• estruturas de grande escala (metros a dezenas de metros), tais como dobras, falhas e desconformidades angulares;
• a posição de medições mais detalhadas (por exemplo, amostras ou um registro gráfico) para que a localização exata possa ser facilmente transferida.

Na maioria dos casos, é melhor pegar uma página inteira, ou até mesmo duas páginas seguidas de uma caderneta ao construir um esboço de um penhasco ou frente de pedreira. Considere também a orientação da caderneta; a vista seria melhor capturada com a paisagem orientada para a página do caderno (ou seja, mais largo do que é mais alto) ou retrato (ou seja, mais alto do que mais largo)? Frentes de penhascos longos são geralmente melhores em paisagem, enquanto um perfil vertical através de um penhasco pode ser melhor em retrato. As figuras a seguir mostram como você pode construir um esboço do paredão mostrado na fotografia. Embora estas instruções estejam divididas em passos sugeridos, pode ser necessário alterar a ordem dependendo do assunto, ou voltar a uma etapa anterior para adicionar ou alterar o detalhe. O objetivo do esboço é resumir as principais unidades de rocha e a(s) relação(ões) entre elas.

1. Avalie as unidades
Gaste algum tempo olhando para a exposição e decida quantas unidades existem. Procure quaisquer características importantes, tais como relações de cruzamento ou deslocamentos. Escolha uma parte representativa do paredão para esboçar (mostrado pela caixa amarela neste caso).



2. Desenhe o contorno
Decida sobre a melhor orientação da sua caderneta para o esboço (neste caso paisagem). Coloque um título/legenda no topo da página, detalhando o assunto do esboço e os objetivos. Desenhe primeiro o contorno da área, ou seja, a parte inferior e superior do paredão e estenda o esboço lateralmente até a borda da área escolhida. Se houver áreas de vegetação adicione pelo menos os principais como pontos de referência.



3. Desenhe os principais limites geológicos
Desenhe os limites principais entre as unidades. Ao esboçar os limites, dê atenção particular se os limites são bruscos ou gradacionais, undulatórios ou planares. Use uma linha grossa e negrito para onde o limite é brusco e distinto, e uma linha de densidade média para aqueles que são gradacionais. Use sua bússola para estimar ângulos aparentes e seu polegar levantado na sua frente ao comprimento do braço para estimar as espessuras relativas. Certifique-se de que os limites entre as unidades são contínuos para todo o seu comprimento; Se o limite é obscurecido pela vegetação ou material escorregado marque isso no esboço.


4. Desenhe os limites de todas as subunidades e o perfil de intemperismo.
Onde houver intemperismo diferencial das unidades de rocha, pode ser útil nesta fase desenhar um perfil de intemperismo ao lado do esboço que está diretamente relacionado com cada uma das unidades. Isso pode ser usado para realocar sua posição no esboço, especialmente se houver muitas unidades.
Desenhe os limites de quaisquer subunidades usando linhas de intensidade e espessura apropriadas. Se for apropriado, adicione outros recursos como massas de pequenas pedras soltas que cobrem a base de declives e mais detalhes sobre pontos de referência, como a vegetação, para ajudá-lo a localizar as diferentes partes do esboço, mas certifique-se de que elas não prejudiquem a parte principal do esboço.


5. Esboce o detalhe dentro de cada uma das unidades.
Observe cada uma das unidades por sua vez e adicione o seguinte: sombreamento para quaisquer unidades de cor mais escura (usando diferentes densidades de sombreamento, conforme apropriado); Qualquer detalhe dentro de cada uma das unidades / subunidades usando linhas finas, p.e. camadas mais finas, estruturas sedimentares, dobras, etc. Certifique-se de que, à medida que aumenta o esboço, os limites entre as unidades principais permanecem claramente definidos. Se para parte do esboço existem recursos que são difíceis de distinguir, ou você não tem tempo para adicionar o detalhe, rotule o esboço de acordo (por exemplo, características não mostradas, maciça).


6. Adicione os toques finais

Adicione uma escala, orientação e número / nome das unidades para que você possa se referenciar a elas em suas notas adicionais. Complete o esboço detalhado de todas as peças-chave e marque como elas se relacionam com o seu esboço principal.

NOTA:

O texto acima foi traduzido livremente, extraído e modificado de :

COE, Angela. Geological Field Techniques. UK : Willey-Blacwell, 2010.

ATIVIDADE

Utilize a imagem seguinte para treinar a sua habilidade de fazer esboços. Siga os passos acima descritos, porque a técnica é fundamental para o desenvolvimento da habilidade.



Alunos da turma do 9.o Período de Geologia da FINOM durante treinamento na elaboração de esboço geológico de uma imagem projetada no quadro.
Aula de 23 de março de 2017.