Quebra Pedras

BLOG DEDICADO A ALUNOS DE GEOLOGIA

domingo, 31 de maio de 2020

MUDANÇAS NO CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE

Uma estranha anomalia está enfraquecendo o campo magnético da Terra

O campo magnético da Terra continua sendo afetado por uma anomalia misteriosa, flagrada por um satélite da Agência Espacial Europeia (ESA). Aliás, os dados coletadas indicam que o fenômeno estranho tem se agravado nos últimos tempos.
A Anomalia do Atlântico Sul se estende desde a América do sul até o sudoeste da África, sendo uma vasta extensão de intensidade magnética reduzida. O campo magnético da Terra atua como se fosse um escudo protegendo o planeta de ventos solares e da radiação cósmica, por isso qualquer alteração precisa de monitoramento.
Por enquanto, não há nada de preocupante, indica a ESA. Entretanto, os principais efeitos podem causar falhas nos satélites e nas naves espaciais, que podem ser expostos a uma maior quantidade de partículas carregadas. Isso desde que passem nos céus do Oceano Atlântico Sul.

O campo magnético da Terra está mais fraco?

Pesquisas indicam que durante os últimos dois séculos o campo magnético da Terra reduziu cerca de 9%. Além disso, somente nos últimos 50 anos a redução foi de 24.000 nanoteslas para 22.000 nanoteslas. Isso foi auxiliado pela Anomalia do Atlântico Sul.
Entretanto, os pesquisadores da ESA ainda não conseguiram identificar porque essa condição está acontecendo. Mas, eles sabem que o campo magnético da Terra é produzido por correntes elétricas geradas dentro do núcleo externo de nosso planeta. E embora a condição seja estável, em escalas de tempo existem alterações.

Alterações como essa são normais

Estudos indicaram que o campo magnético da Terra constantemente sofre alterações, mudando a cada centenas de milhares de anos. Além disso, os polos magnéticos norte e sul costumam trocar de lugar.
A questão é que os pesquisadores não conseguem fazer a junção dessa condição com a Anomalia do Atlântico Sul, que poderia ser causada por um reservatório de rochas densas na África. Mas, eles sabem que a anomalia não está parada e desde 1970 vem se movendo para oeste, numa velocidade de 20 quilômetros por ano.
Nos últimos 5 anos um segundo centro de intensidade mínima começou a se abrir dentro da anomalia, fato indicado pelo satélite Swarm, da ESA. Assim, pode ser um procedimento para que a anomalia se divida em duas células separadas, com o original acima da América do Sul e a nova célula chegando ao sudoeste da África.
“O novo mínimo oriental da Anomalia do Atlântico Sul apareceu na última década e, nos últimos anos, está se desenvolvendo vigorosamente”, diz o geofísico Jürgen Matzka, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências.
Os pesquisadores adotam como desafio a compreensão dos processos que acontecem no núcleo da Terra e que permitem essas mudanças. Por enquanto eles ainda não sabem quais serão os próximos passos da anomalia, mas sugerem que um evento como este é comum, se pensarmos ao longo de centenas de anos.
De fato, os cientistas vão continuar analisando essa anomalia, até que tudo fique mais claro e respostas sejam dadas.
Acesse o site da ESA para saber mais.
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sábado, 26 de janeiro de 2019

BRUMADINHO: DE QUANTAS CATÁSTROFES PRECISAMOS?


Três anos após o rompimento de uma barragem da Samarco (Vale + BHP) em Mariana, a população brasileira acompanha estupefata o rompimento simultâneo de três barragens em Brumadinho. Ali, bem ali perto do Inhotim, a maior exposição de arte moderna do mundo, a lama da Vale cobre agora e para sempre os corpos de dezenas de pessoas. Serão inseridas na conta de "desaparecidas".

Políticos se mobilizam para expressar fingida angústia pelo evento catastrófico. Paralelamente, assistimos aos desmonte governamental das instituições e dispositivos criados para a proteção ambiental... Tanta hipocrisia! Entretanto, o presidente do País afirma que o governo federal "não tem nada a ver" com o que chamou de "a questão da empresa".

É isto mesmo! Estamos "nas mãos" das empresas, o governo federal quer apenas que as elas paguem impostos e criem postos de trabalho para colaborar com a paz social (mesmo com o risco de vida dos trabalhadores). O governo federal não precisa nem mesmo fiscalizar, porque ele concede às mineradoras o automonitoramento.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, em operação de resgate após o acidente de Brumadinho. O Poder Executivo do Estado Brasileiro, não tem nada a ver com isso.

O sistema de barragens da Vale em Brumadinho era considerado de baixo risco e tem todo o processo de licenciamento e vistorias em dia, atestando sua segurança. Minha opinião: a engenharia de minas brasileira faz o jogo das empresas, buscando o baixo custo e desprezando os riscos; e o sistema de automonitoramento concedido às mineradoras está na origem dos problemas de segurança que impactam pessoas e meio ambiente.

Links:
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/26/juiz-de-mg-bloqueia-r-20-bi-de-acoes-da-vale-na-bovespa-madri-e-nova-york.htm
https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/ao-vivo/barragem-da-vale-se-rompe-em-brumadinho-na-grande-bh.ghtml
https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/01/26/vale-divulga-lista-de-pessoas-sem-contato-em-brumadinho.ghtml
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/25/desastre-em-barragem-de-brumadinho-e-destaque-na-imprensa-internacional.htm



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

COMO ELABORAR RELATÓRIOS DE CAMPO

Um trabalho de campo só tem valor pedagógico e acadêmico quando sucedido pela elaboração de relatório. Um bom relatório deve ser objetivo, informativo e apresentável. O estudante deve ter sempre em mente que relatórios são parte fundamental do processo de conhecimento científico e refletem a capacidade de quem os redige.

Professor Márcio José dos Santos

Relatório de Trabalho de Campo é descritivo, isto é, o relator deverá descrever as suas observações, registrando também informações importantes do trajeto, do acesso e do local investigado. Para facilitar a visualização e/ou identificação do terreno, é importante apresentar mapas, fotos e/ou croquis.

Relatórios sempre devem ser escritos de forma impessoal, no tempo verbal passado e indicar com clareza todo o desenvolvimento do trabalho. Especificamente para trabalhos de campo, os componentes mínimos de um relatório estão descritos abaixo.

Capa: apresenta o logotipo e nome da instituição, título do relatório, local em que foi elaborado e data da elaboração. 

Folha de rosto: apresenta as mesmas informações trazidas na capa, acrescidas do nome do responsável, além de outras informações, como nome da equipe e data da realização do trabalho.

Introdução: É uma referência à disposição que motivou ou determinou a elaboração e apresenta breve histórico do objetivo ou objetivos a serem alcançados no trabalho de campo.

Roteiro: breve descrição do roteiro, preferencialmente acompanhada de um mapa geográfico com indicação dos pontos visitados.

Desenvolvimento ou descrição dos pontos de observação: é a parte principal do relatório, por isto, ela deve ser bem detalhada. No caso de observações geológicas, as medições, croquis e fotos ilustrativos das observações podem enriquecer o relatório. O relator pode optar pela apresentação das ilustrações em item específico, mas isto dificulta a clareza e objetividade das descrições. A exposição do conteúdo deve ser lógica, partindo das observações abrangentes para as particularidades:

Tabelas, quadros, figuras e imagens constantes de um relatório devem ser numerados.

Conclusão / Considerações: conclusão ou conclusões a que se chegou, tendo em conta o objetivo ou objetivos propostos para o trabalho. Podem ou não ser acompanhadas de sugestões e/ou críticas, sempre precisas, práticas e concretas, relacionadas com a análise feita. Ao final do relatório deve-se indicar o local e a data de conclusão, seguidos pela assinatura do responsável (ou responsáveis).

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Como Elaborar Trabalhos Acadêmicos

Para se publicar um texto técnico-científico, é necessário que sejam seguidas certas normas técnicas. No Brasil, essas normas são estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Toda produção escrita relacionada com o curso superior, fruto de pesquisa ou reflexão, recebe a denominação geral de trabalho científico ou trabalho acadêmico. São exemplos de trabalhos acadêmicos: dissertações de mestrado, teses de doutorado, livros, artigos de periódicos, ensaios, resenhas, relatórios, resumos, etc. Nas diversas publicações que tratam da editoração de trabalhos acadêmicos, ou mesmo nas normas da ABNT, não há qualquer referência explícita à elaboração de trabalhos de alunos de graduação e de pós-graduação. É preciso considerar, no entanto, que é no curso superior que os alunos começam a despertar o interesse pela publicação dos mais variados tipos de trabalhos acadêmicos. É necessário, portanto, que os trabalhos escolares, desde os primeiros anos do curso superior, sejam elaborados de acordo com as normas vigentes, a fim de que o aluno possa ir dominando aos poucos essa técnica de editoração, tão importante no meio acadêmico.

Como não há uma denominação consagrada para os trabalhos de alunos que são feitos durante o curso de graduação e pós-graduação, daremos a eles o nome de trabalhos acadêmicos stricto sensu, ou simplesmente, Trabalhos Acadêmicos (TA’s).

O presente trabalho tem como objetivo:
a)      Apresentar as características gerais de um TA;
b)      Facilitar a vida acadêmica dos alunos de graduação e de pós-graduação, oferecendo-lhes um guia prático e objetivo de consulta para a elaboração de TA’s.
c)      Iniciar o aluno de curso superior nas técnicas de elaboração de TA’s, o que, sem dúvida facilitará e incentivará as suas atividades de pesquisa.

Para a consecução desses objetivos, baseamo-nos em bibliografia especializada (indicada no final deste trabalho) e especialmente nas normas da ABNT. (...) Para não nos perdermos em minúcias, estamos nos baseando principalmente na NBR 6023, publicada em agosto de 2000 pela ABNT, cuja referência bibliográfica completa se encontra no final deste trabalho (ABNT, 2000).

TA’s: CARACTERÍSITCAS GERAIS

Um TA é um trabalho que apresenta um tema bem delimitado e um objetivo definido. Não deve ser apenas a compilação de posições a respeito de um assunto, mas a descrição de um tema ou de um fenômeno determinado ou ainda a tentativa de solução de um problema específico.
Um TA deve apresentar as seguintes partes: folha de rosto (cf. item 3.14), texto (corpo do trabalho) e referências bibliográficas (cf. item 6).

O texto do TA deve apresentar, explicitamente ou não, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.

A introdução deve ser clara, breve e direta, contendo principalmente a justificativa (o que leva o aluno a fazer o trabalho?) e o objetivo (o que pretende o aluno demonstrar no trabalho?). Toda introdução deve apresentar, ainda que implicitamente, uma proposta, uma pergunta, uma dúvida ou uma hipótese.
O desenvolvimento pode ser dividido em partes, como: metodologia aplicada, conceitos teóricos indispensáveis à compreensão do trabalho, exposição, análise e interpretação dos dados, conclusões parciais, etc.

A conclusão é uma retomada do objetivo exposto na introdução. O aluno poderá recolocar, de maneira sucinta, as conclusões parciais do desenvolvimento e apresentar uma conclusão final do trabalho.

O TA deve ser escrito em linguagem técnica, neutra, concisa, devendo-se evitar palavras, expressões e frases coloquiais (características da linguagem oral, como bem, então), subjetivas (eu acho, na minha opinião) e/ou intensificadoras (muito, expressamente). Como norma, deve-se sempre preferir os termos técnicos aos não-técnicos. Também como norma, deve-se cortar tudo o que for dispensável, podando-se o texto de termos e expressões inúteis.

Na elaboração do TA usa-se o português padrão, ou culto, devendo o aluno  tomar cuidado com todo tipo de erro, desde os mais simples (ortografia, por exemplo), até os mais complexos (estruturação do período, concordância, coesão, coerência, etc.) Entendemos por língua padrão aquela que é usada nos termos técnicos, científicos e informativos e que estão configurados nos livros, artigos, trabalhos e documentos técnico-científicos, na chamada redação oficial (ofícios, cartas, memorandos, relatórios, requerimentos, abaixo-assinados, leis, decretos, etc.), na redação comercial, nos manuais de instrução, nos impressos informativos e congêneres. Trata-se, enfim, de textos que façam uso, primordialmente, da linguagem denotativa, representativa e informativa, sem intuitos ambiguizadores, irônicos, pejorativos, artísticos ou provocativos, como é a linguagem literária, por exemplo.

A clareza e objetividade são itens essenciais nos TA’s. Recomenda-se aos alunos que usem frases curtas, tomando um cuidado especial com a pontuação (na dúvida, pontue). Os TA’s, por serem textos de menor porte, não devem apresentar notas de rodapé, notas no fim do trabalho, epígrafes, índice, sumário e resumo. Para esclarecimentos sobre esses itens, o leitor deve consultar uma bibliografia especializada, como FRANÇA et al. (1998).

Todo TA (bem como todo artigo, tese, livro etc.), como dissemos anteriormente, deve seguir as normas da ABNT. Para que isso seja possível, o TA deve ser digitado em computador. Assim, o aluno aprenderá a usar as normas técnicas e o professor poderá corrigir os trabalhos adequadamente. Mesmo que em alguns cursos de graduação e de pós-graduação não haja uma disciplina que trate especificamente desse assunto, é necessário que os alunos e os professores se conscientizem da necessidade de se redigirem os TA’s de acordo com as normas vigentes.

Grande parte dos alunos de graduação, e mesmo de pós-graduação, tem dificuldade com as referências de autoria que devem aparecer no corpo do trabalho e depois descritas no item Referências ou em Notas de Pé de Página. Para não se perder nesta questão, consulte as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, clicando AQUI. Este documento apresenta modelos padronizados de fácil aplicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Rio de Janeiro. Informação e documentação: referências – elaboração: 6023: 2000. Rio de Janeiro, 2000.

FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 4. ed. rev. e aum. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.




sexta-feira, 20 de abril de 2018

METEORITO TEM DIAMANTES DE PLANETA "PERDIDO"

Redação do Site Inovação Tecnológica -  

Meteorito tem diamantes de
Micrografias dos nanodiamantes encontrados no interior do meteorito 2008 TC3.[Imagem: Farhang Nabiei et al - 10.1038/s41467-018-03808-6]
Diamantes do espaço
Pesquisadores suíços acreditam ter encontrado o primeiro indício para validar a mais antiga teoria sobre a formação da Lua.
Ao estudar um meteorito que caiu no Sudão em 2008, Farhang Nabiei e seus colegas encontraram minúsculos diamantes que só podem ter sido formados nas enormes pressões encontradas nos núcleos dos planetas - o impacto do meteorito não seria capaz de gerar os microdiamantes encontrados.
Isso indica que o meteorito pode ser remanescente de um antigo planeta que foi destruído por colisões nas primeiras eras do Sistema Solar.
O meteorito contém minúsculos diamantes - cerca de 100 micrômetros cada um - encapsulados dentro de minerais ricos em elementos como o cromo e o fósforo. Os cálculos indicam que o asteroide 2008 TC3 tinha cerca de quatro metros de diâmetro, explodindo quando entrou na atmosfera terrestre. Cerca de cinquenta fragmentos, entre um e 10 centímetros, chegaram ao solo do deserto do Sudão, perfazendo cerca de 4,5 kg.
Planeta perdido
Os astrofísicos chamam de Teia (ou Theia) o protoplaneta que teria se chocado com a nascente Terra para formar a Lua, mas existem várias hipóteses que falam de uma população muito maior de planetas no início do Sistema Solar, cujos choques poderiam ajudar a explicar as posições dos planetas atuais, com os gigantes gasosos muito distantes do Sol.
Pelas pressões necessárias para formar os diamantes encontrados no meteorito - mais de 20 gigapascals -, a equipe calcula que esse planeta destruído deveria ter a massa de Mercúrio ou mesmo de Marte.
O meteorito pertence a uma classe conhecida como ureilitos, bastante raros, sendo responsáveis por menos de 1% de todos os meteoritos que chegam à superfície da Terra. Embora se baseiem na análise de apenas uma amostra, a equipe do Instituto Politécnico Federal de Lausanne já defende a generalização de que todos os meteoritos ureilitos sejam oriundos do núcleo do mesmo protoplaneta.
"Este estudo fornece evidências convincentes de que o corpo originário da ureilita era um desses grandes planetas 'perdidos' antes de ser destruído por colisões há 4,5 bilhões de anos," escreveram eles.

Bibliografia:

A large planetary body inferred from diamond inclusions in a ureilite meteorite
Farhang Nabiei, James Badro, Teresa Dennenwaldt, Emad Oveisi, Marco Cantoni, Cécile Hébert, Ahmed El Goresy, Jean-Alix Barrat, Philippe Gillet
Nature Communications
Vol.: 9, Article number: 1327
DOI: 10.1038/s41467-018-03808-6